-- Por que você não se mata?
-- Não quero ser uma solução dramatúrgica fácil.
-- Que?
-- Vão escrever sobre mim, fique certa. E no meios de todos estes nós terão que prosseguir com a minha personagem que optou por testemunhar o que há depois disso tudo...
-- Disso tudo o que?
-- Disso tudo nós.
Pausa. Não há vozes. O espaço deixado por elas é preenchido com o som das gotas grossas que batem na janela.Um cigarro queimando entre os dedos dela, aqui dentro.
-- Não vai vender: Vai ser chato, cheio de voltas, prolongamentos, melancólico, inexpressivo.
-- Você acha?
Uma tragada no cigarro e...
-- Uma grande bobagem.
-- Há quem goste de bobagens imortalizadas.
-- Eu não gosto.
-- E por que então não foi embora ainda?
Silêncio. O cigarro está todo consumido. As mãos dela ficam vazias.
-- Faz parte de um plano: fico aqui, prolongando minha participação nesta bobagem e garanto meu futuro: me aposento e vivo dos royoltes que irão ser meus, por direito. Nada de amor, apenas questão de conveniência.

4 Comments:
"Uma tragada no cigarro e...
-- Uma grande bobagem."
Rafa! uahuaheauheuaheuahe
Ficou massa! Gostei.
=*
cara, selos pra você no Meus Pensamentos!
Mas que confusão de idéias hein... hehehehehe
o interessante é que as idéias mais confusas costumam ser as melhores!! parabéns pela criatividade!
oiii...
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