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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

estiagem


currículos
mensagens aos distantes 
cartas de amor 
umas de anuência 
e também de intenção 

enviados aos monte.

é aí que transito 
num tão sem fim vácuo
que cabe o universo
que existe entre 
um sim
(piscadela)
ou não.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

questão de gravidade

queda?
não.
por você
o que eu tive
foi um tropeço.















P.S: caí de quatro, ao seu lado.
mas aí essa sua mania
de olhar sempre pro alto
que me deixou 
(por algum tempo)
desse jeito no chão.

sábado, 16 de novembro de 2013

etnografia de um marco polo de araque

Hoje resolvi dar uma volta ao mundo.
Aí
saí de casa 
fui andando
(andei até outra ponta ali da minha rua)
Cumprimentei uns vizinhos, 
Dei notícia pra dona Maura, 
expliquei o porquê do meu sumiço pra dona Maria
mexi com os cachorros que latiam irritados atrás dos portões
fiquei assistindo por um instante o futebol arte da meninada
e os primeiros namoricos das menininhas dali da frente
(que nasceram ontem mesmo, essas meninas)
(as duas filhas do Marcinho e a sobrinha do Amauri)
(tudo de namorico ali perto da goiabeira com os meninos lá de cima)
aí
catei umas acerolas do passeio da casa Fátima.
A Gilda ali do lado insiste em varrer o passeio com a água
(se lá nela não tem gato, ela só pode ser sócia da Copasa)
(A Gilda perguntou se eu não queria que jogasse uma água aqui na frente do portão.)
(eu disse que sim e agradeci)
Você precisava ver o azul que derramaram no céu do meu bairro hoje de tardinha.
aí
Quando parei pra pensar
(já de volta dada)
lá estava eu
(de volta ao meu)

ínfimo e imenso
(com um azul derramado no céu que, menino!)

mundo.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

climão

o céu sorriu um sol debochado 
depois de um demorado chororô 
nos ombros de beagá.

domingo, 13 de outubro de 2013

o pai era de dizer outras coisas também.
avulsas, ao vento, quase que do nada.

sentou-se comigo um dia
e me falou dessas coisas
que é no coração que se planta
pra gente ver germinar na vida

ele que pouco sorria, sorriu
quase que do nada

achei isso de uma boniteza sem fim.

sem fim.




sábado, 24 de agosto de 2013

Era o pai que dizia
que
tem gente, meu filho,
que só poesia!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

asneirice etílica.dois

então emprestou-lhe seu tempo. sentou-se junto dele, naquele velho boteco da esquina, pediram o de sempre para o velho garçom. a noite já se ia fria, em horas avançadas e pouca gente pelas ruas. então beberam "mais uma", a "só mais essa", a "saideira", a "última,juro!" e com os ouvidos atentos, lhe ouviu. escutou-o falar daquele, aquele outro, do mais bonito e inteligente e do magrelo que é tão assim, sei lá. riu também sobre o caso dele com o mais baixo, com o mais esperto, com cabeludo, com o poeta e até com "este aqui que entrou agora, acompanhado de uma moça, está vendo ele ali? não para de olhar pra cá." pediram a conta, acertaram tudo e ele quis ir ao banheiro. quando só naquela mesa, foi que um pensamento lhe assaltou:  no meio daquele todo mundo da conversa de agora pouco, percebeu-se como um nada, tipo zé ninguém, sem nome e sobrenome, nem história pra contar no meio de tantos amores, tanta gente, tantas coisas. E continuaria assim, a menos que se - não exalava álcool, exalava uma uma ingênua coragem - a menos que se. "então,vamos?", o outro disse. foram, eu lhes conto. dividiram um táxi até em casa. O ajudou naquelas escadas e com todo aquele chaveiro na hora de achar a chave certa pra entrar no apartamento. o outro, coitado,  fraco para bebida, foi chegando e já caindo, sem tirar nem mesmo o jeans. restou-lhe então certificar as trancas e as janelas, cobrir-lhe porque fazia frio e por fim da boca dele escutou um sussurro lembrava um "boa noite, obrigado. a gente se vê amanhã". foi aí que apagou as luzes, fechou todas as portas e saiu. 

sábado, 17 de agosto de 2013

diagnóstico

então constatou que lhe faltava estômago para tanta borboleta.