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terça-feira, 18 de julho de 2017

o do leminski é melhor

numa hora ou outra
isso ou aquilo outro
o tanto faz ou tanto fez
uma dessas coisa todas
tem tudo pra dar pé

sexta-feira, 16 de junho de 2017

meu coração porta
essa ferida
aberta
num pedaço de tempo muito de tudo ali dentro se aloja.
inflama, infecciona, infla e arde
afloram brotoejas
ao redor
um cheiro!
eu choro
não sou de ferro.
morro de medo
de mim
risonho, olhando a ferida
dando nomes pra ela
- te chamo amor?
- qual nome lhe dou?
- te chamo de que?
morro de medo
de penicilina
É o que digo aos estudados médicos
que assim respondem
quando cumprimentados
pelo bafo das infecções surgidas
ao redor da minha ferida
- benzetacil

é assim que eles tratam
esse mau trato
da gente com a gente
morro de medo.
dessa ferida
dizem que sara
com injeção
eu a rejeito

digo: confio na vida,
no que pode o tempo
mas, bem lá no fundo,
já disse e repito:
eu morro de medo.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Rosa

tem sentimento que escapole 
prematuro
bem cedo ainda 
antes mesmo de 
passarem um café 
pra tomarem juntos
comendo um pedaço
daquela ideia
de se fazer um bolo
que tiveram antes
de amanhecer.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

triste

o desgosto
a palavra
desgasta

sábado, 16 de abril de 2016

esta 
é de quando
te vi
em mim
enterrado
em rasa vala.

no centro da cidade 
recém acordada
(se é que ela hoje dormiu)
te vi 
em mim
enterrado
e que assim seja
saravá.
amém.
amém.
amém.

domingo, 4 de outubro de 2015

frevo por acaso (do Cícero Rosa Lins)

e o que a que gente faz daquela angústia/ (dá aquela angústia!) / e se um dia precisar/ de alguém pra desabar/ de alguém pra desabar/ eu tô por aí/ .................................................................................................................................................................. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

imagino muito
imagino:
um grito do documento 12 do word, ralhando comigo:

- sai daqui, e só volte quando souber de verdade o que quer contar!

imagino de tudo
menos a peça que eu deveria escrever. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

"É por isso que eu peço: cuidado com o que planta no mundo. Cuidado com o que toca; com a capacidade que gente tem de se envolver com as coisas. Não adianta fingir que não sente. Gente sente tudo, se envolve com tudo! Sou eu que estou pedindo isso. Façam isso por mim. Por mim!, por mim!, por mim!"

Grace Passô, "Por Elise"