
Daqui seis horas, 2009 cruza a fronteira desta realidade exata, palpável e que a gente tem quase certeza de que é de verdade para ser recebido pelos seus iguais no lugar pra onde todas as coisas do mundo vão quando se enjoam desta bagunça que é do lado de cá: para eternidade.
Não sei se o senhor Calendário permitisse este ano iria pedir mais alguns minutinhos. Deve estar cansado, coitado! Chegou cheio de pique, logo lançando novas cartas, me tirando de todos os lugares cômodos que eu estava acostumado a estar e sem muitas cerimônias ou qualquer palavra carinhosa, me pegou pela gola da camisa e me deu umas bofetadas na cara, segundo ele "para que eu acordasse para uma nova vida".
Nova vida esta que me obrigou a ter equilíbrio. E como não funciono a base de gritos e bofetadas, custei a pegar no tranco para entender os novos "comandos". Mas aí o sr. 2009 baixou, feito santo nos cavalos dos terreiros de umbanda, nos novos "mestres" (ou doutores, para não fazer pouco caso dos títulos que vários deles possuem) e me disse em alto e bom som: FAZ SEM RACIONALIZAR DEMAIS! SE JOGA! E, cá pra nós: nas vezes que eu tentei, deu certo! Agora, se eu me tornei uma pessoa equilibrada? Bem, pra falar verdade, acho que ainda não tomei o número de bofetadas suficientes, então...
Nova vida que não permitiu estar acompanhado de todos aqueles que eu gostaria que estivessem ao meu lado neste novo caminho. Não vou me aprofundar agora, neste momento de despedida, em uma reflexão íntima sobre estes desencontros afetivos. Se foi por opção ou consequência dos caminhos que cada pessoa resolveu traçar já é uma outra história que não cabe ser escrita aqui sob o ponto de vista de um único autor, e sim de todas as outras partes envolvidas. No entanto, confesso que todas as vezes que me lembro do que já fui ao lado Destes inesquecíveis seres humanos, sinto o gosto agridoce da saudade - salgado graças as lágrimas, doce graças as lembranças boas e eternas que quase chegam ao ponto de se tornarem melosas, como este parágrafo.
Mas não fiquei ao Deus dará: meia dúzia do povo está aí, até agora, firme forte, na mesma direção que a minha. 2009 os colocou no mesmo rumo, com os mesmos sonhos, amores e anseios. A gente se diverte um monte, se estripando juntos, na certeza que "juntos venceremos, afinal DEUS É MAIS!" e não há "FÍSICA DO PETREFEOLISMO" que evite o nosso crescimento e nossos "MOMENTOS 'COZINHANDO COM A VÍRGINIA'".E (um minuto - agora vai ser muito pessoal, caríssimo leitor... MAS POR FAVOR: Não se irrite e prossiga... você já chegou até aqui) um dia seremos sim "como o Galpão... Ou o Mestre dos Magos..." Tanto faz!
Ah, claro! Seria injusto com o sr. 2009 caso não citasse os novos iluminados que ele e o sr. Destino incumbiram de cruzar o meu caminho para seguir em frente. Não com o objetivo de substituir os velhos, como um dia o Destino me disse, mas sim para agregar novos valores, sonhos, vivências, conflitos, piadas internas, chuvas, viagens de ônibus, caronas na porta da faculdade e tantas outras coisas que agora realmente não consigo citar. Todavia, acaso eles um dia parem e leiam isso aqui, saberão acrescentar mais coisas que nós compartilhamos juntos durante estes meses.
Bandeijão, amores, pessoas, emprego obrigatório, bolsa de estudos, UFMG, distâncias, ônibus, viagens, noites fora de casa, professores substitutos, velhos amigos, rompimentos, Quidam, Maria Gadú, Laranja Mecânica, aquela adaptação trash do Harry Potter, sobrevivência, lágrimas, Catuaba, Sujão, pizzas aqui, na cozinha de casa, cachorros quentes nos fins de tarde dos sábados, Gaia, Estrela Vésper, eu dançando "All that jazz", Caldada...
E é por estas coisas, sr. 2009, que eu não me despedirei do senhor com bofetadas, como sugeri no post anterior. Creio que você poderá até ver, se prestar bastante atenção, um aceno meu, quando o relógio bater a hora combinada do senhor partir. Dizem que são das pessoas carrascas, mas que nos ensinam algo é que a gente se lembra com mais frequência. Sendo assim, é certo que você sempre figurará na minha memória porque hoje, neste princípio de noite, guiado pelos estímulos musicais (a Academia me deixou assim!) da trilha sonora do filme "Pequena Miss Sunshine", vendo que o Sr. Tempo está num mau-humor de sair de baixo, percebi que, sem mediocridades ou falta de criatividade para terminar este texto, eu cresci. Cresci por dentro. E me sinto bem mais preparado para as peripécias que seus irmãos ainda irão aprontar por aqui e eu, como não sou bobo nem nada, irei participar sem sombra de dúvida, porque este JOGO DA VIDA é muito bom de jogar. Melhor até do que esta tal "Colheita Feliz" (prontoFalei.)
Por isso: muito obrigado!
A gente se encontra lá nas bandas deste seu novo lugar, um dia!
Pois como diria Leila Lopes, que o senhor encontrará por lá: é pra lá que eu vou na hora em que isso for decidido!
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