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sexta-feira, 8 de julho de 2011

o fantasma da pós estreia

Durante as antigas e grandes expedições em busca de novos cantos no mundo, os viajantes ficavam à mercê dos mistérios lendários que os mares abrigavam. Assim nos conta a história. E é assim que também nós, viajantes-atores ,nos sentimos nas duas apresentações após a estreia.

Os trabalhos do segundo dia começaram com uma curta reunião com o diretor Hildebrando que nos parabenizou pela boa [porém nervosa] estreia. Destacou os pontos positivos e negativos que tivemos no primeiro dia, apontou aspectos que mereciam mais atenção e nos alertou: “Cuidado com a lenda do segundo dia!”

Dizem que segundo dia de espetáculo é sempre ruim quando se faz uma boa estreia. Porque ator é ator e ego a gente tem de sobra. Diante da boa recepção do público na primeira noite, corríamos o risco de afrouxarmos os corpos, deixarmos a energia cair, perder o estado de prontidão para as mil e uma coisas que acontecem simultaneamente durante o espetáculo e marcarmos gol contra por acharmos que o “jogo” já estava ganho. “Pelas caras cansadas de vocês eu vejo que estamos perto de tornar real essa lenda”, completou o Hilde.

Estávamos sim cansados, mas havia um comprometimento de nossa parte de não deixar a coisa toda desandar. Também tinha o frio que, como já havíamos imaginado, não colaborava e estava desencorajador usar as poucas peças de figurino do início do espetáculo. Pairava outro mistério: será que numa noite fria de terça-feira teríamos público?

Tivemos! Um pouco menor do que na noite de estreia, mas mesmo assim tínhamos quase todos os lugares preenchidos. E isso nos deu um gás a mais para suportar a friagem, superar o cansaço e novamente realizar um bom espetáculo que fosse melhor do que o primeiro (quem sabe?).

No dia seguinte quando o Hilde nos disse que havia sido "um espetáculo técnico” não foi nenhuma surpresa para nós do elenco. “Não podemos fazer menos do que fizemos ontem”, completou. O que algo havia se perdido na noite de terça: Energia? Emoção? Presença dos atores? Envolvimento do público? Segurança naquilo que propúnhamos? Precisão? Ritmo? Todas as outras opções que fazem de uma apresentação um bom espetáculo? Mistério!

E aí veio a terceira noite, na quarta, dia 06. Em geral, apesar das lacunas, foi um bom espetáculo. O público se mantém e compartilha conosco as duas horas de peça. Olhares atentos, muitos casacos e há quem se arrisque a cantar o "Na Carreira" junto conosco ou nos ajudar no "Samba de Shakespeare" com palmas. Se divertem. E isso nós do elenco sentimos porque nos faz muito bem. Porém sabemos que podemos oferecer mais. Este "empate" que diverte quem nos assiste pode muito bem voltar a ser uma goleada. Que venha as outras quatro noites.

Mar adentro.

"Eia, homem. Vamos, vamos!"

OS CAVALEIROS

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