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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Pilar e Percival

Percival: E o pai?
Pilar: Pai já vem.
Percival: Vem de onde?
Pilar: Vem do lado de lá, primeira esquerda, mais longe um pouquinho, depois da curva, perto da árvore, em cima do morro, que desce na entrada do lugar nenhum.
Percival: Isso é longe?
Pilar: Perto do nunca mais!
Percival: Que é longe?
Pilar: Nem o trem para lá!
Percival: Nem o trem?
Pilar: Coisa nenhuma!
Percival: Nossa Senhora!
Pilar: Essa talvez vá.
Percival: Mas não vai de trem.
Pilar: De trem não.
Percival: Tadinha da santa... vou acender uma vela pra ela.

(...)
Percival: Ela deve andar muito.
Pilar: Deve.
Percival: Já que não vai de trem, ela deve andar dia e noite sem parar.
Pilar: Muito, muito, muito.
Percival: Esta vela é pra alumiar o caminho da santa e seus passos no escurinho desta noite. Amanhã eu acendo outra. E depois, mais outra. Outra...Outra.
Pilar: A santa vai ficar satisfeita com você.
Percival: E o pai?
Pilar: O pai também!
Percival: Mas como é que o pai vai ficar sabendo.
Pilar: A santa conta pra ele.
Percival: A santa conversa com o pai?
Pilar: Deve conversar. O pai é bom de prosa.
Percival: Hum...
Pilar: Agora vai pra sua cama.
Percival: E quantas noites gasta pra chegar lá?
Pilar: Lá onde.
Percival: No lugar onde o pai tá?
Pilar: Disso eu não sei não.
Percival: Você devia saber! Como é que eu vou saber que já não precisa acender vela pra alumiar os caminhos da santa. Nossa Senhora. Vai ser uma confusão das grandes se eu deixar a santa no escuro. 

(...)

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